Do Brasil para o Japão: o RODA em uma conversa global sobre reciclagem

Uma solução criada em Salvador agora faz parte de uma conversa internacional sobre comportamento e reciclagem.
Em setembro, o RODA | A reciclagem na sua porta foi apresentado no workshop internacional Behavioural Insights for Better Waste Management, realizado em Osaka, no Japão.
O convite veio a partir da participação de Salvador no Urban Ocean, programa da Resilient Cities Network, em parceria com a Ocean Conservancy e The Circulate Initiative, voltado ao enfrentamento da poluição plástica e ao fortalecimento da gestão de resíduos nas cidades.
O workshop em Osaka foi organizado pelo Global Environment Centre Foundation (GEC) em parceria com o UNEP International Environmental Technology Centre (UNEP-IETC), com apoio da Lloyd’s Register Foundation. O encontro reuniu pesquisadores, gestores públicos, profissionais, iniciativas comunitárias e outros atores para discutir uma questão que está no centro do RODA: como o comportamento das pessoas influencia a gestão dos resíduos, e como os próprios sistemas podem estimular novos comportamentos?
Durante o encontro, o RODA foi apresentado como um dos dois casos práticos selecionados pelo Urban Ocean, ao lado de uma iniciativa de Chennai, na Índia. Foi uma oportunidade de compartilhar resultados, desafios e aprendizados de uma solução criada para aproximar a coleta seletiva das pessoas no Centro Histórico de Salvador.
E o RODA tem muito para compartilhar.

Em pouco mais de um ano de operação, o projeto já ultrapassou 100 toneladas de materiais recicláveis coletados, realizou mais de 6 mil coletas e já conta com mais de 390 participantes entre moradores e pequenos negócios do Centro Histórico.
Por meio de um sistema gratuito e agendado de coleta porta a porta, o RODA facilita o acesso à reciclagem em uma região com características muito particulares. Com um veículo elétrico, a equipe percorre o território e coleta materiais como papel, plástico, metal, vidro, óleo de cozinha e eletroeletrônicos.
Mas o impacto não termina na coleta.
Os materiais seguem para a cooperativa CRUN, conectando quem quer reciclar a quem faz a reciclagem acontecer e contribuindo para fortalecer o trabalho de catadores e catadoras. Assim, o RODA atua em diferentes pontos da cadeia: aproxima a reciclagem da população, dá destino correto aos materiais e fortalece a economia circular no território.
Foi essa experiência prática que chegou a Osaka: uma solução construída a partir das necessidades de Salvador, seus resultados e aprendizados.
O que o Japão nos ensinou?

A experiência também trouxe novas perguntas para a SOLOS.
No Japão, a relação com os resíduos vai muito além da existência de lixeiras ou das regras de descarte. Há uma combinação de cultura, hábitos, infraestrutura e educação que influencia a forma como as pessoas percebem limpeza e cuidado com o espaço coletivo.
Essa foi uma das principais provocações trazidas de Osaka: mudar a relação com os resíduos também passa por mudar comportamentos.
E, para isso, não basta pedir que as pessoas reciclem. É preciso criar sistemas que tornem a escolha sustentável mais acessível e possível.
É exatamente nesse ponto que o RODA atua.
O projeto nasceu de um desafio local, mas a experiência mostrou que soluções desenvolvidas a partir dos territórios podem participar de conversas globais e, ao mesmo tempo, voltar para casa com novos repertórios.
Do Brasil para o Japão. E do Japão de volta para o Brasil, com novos aprendizados para continuar fazendo a reciclagem acontecer no Brasil de forma justa e inclusiva.



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