O protagonismo dos catadores na transição para uma economia circular

Muito se fala sobre economia circular como o modelo capaz de transformar a forma como produzimos, consumimos e utilizamos os recursos. Empresas estabelecem metas ESG, governos avançam em políticas públicas e consumidores fazem escolhas mais conscientes. Mas existe uma pergunta que ainda precisa ganhar espaço nesse debate: quem faz a economia circular acontecer no Brasil?
A resposta está nas cooperativas e nas mãos de milhares de catadores que, todos os dias, garantem que materiais retornem à cadeia produtiva em vez de serem destinados aos aterros.
Segundo estimativas do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), existem cerca de 800 mil catadores atuando no Brasil. Além disso, estudos apontam que esses profissionais são responsáveis por recuperar a maior parte dos materiais recicláveis que retornam à indústria, tornando-se o principal elo da cadeia da reciclagem no país.
Apesar disso, esses profissionais ainda são vistos, muitas vezes, apenas pela perspectiva da inclusão social. É preciso ampliar esse olhar. As cooperativas de catadores representam uma infraestrutura essencial para a logística reversa, para a reciclagem e para o cumprimento das metas de sustentabilidade das empresas.
Fortalecer essas organizações significa investir em eficiência. Cooperativas mais estruturadas oferecem maior capacidade operacional, melhor qualidade dos materiais, rastreabilidade e mais segurança para toda a cadeia. Isso beneficia tanto os catadores quanto as empresas que buscam incorporar a economia circular aos seus negócios.
Na SOLOS, essa realidade faz parte do dia a dia. Ao longo de sua trajetória, a empresa já fortaleceu mais de 40 cooperativas, contribuiu para gerar mais de R$ 10 milhões em renda para catadores e destinou corretamente mais de 2.300 toneladas de resíduos recicláveis. Esses resultados mostram que investir na base da cadeia é uma estratégia que gera impacto ambiental, social e econômico.
A transição para uma economia circular não depende apenas de novas tecnologias ou mudanças regulatórias. Ela exige colaboração entre empresas, poder público, cooperativas e sociedade. Sobretudo, exige reconhecer que os catadores não são apenas beneficiários dessa transformação, são agentes fundamentais para que ela aconteça.
O Brasil tem uma oportunidade única de liderar essa agenda. Para isso, é preciso deixar de enxergar as cooperativas apenas como um componente social e passar a reconhecê-las como parceiras estratégicas para a construção de cadeias produtivas mais resilientes e sustentáveis.
A economia circular só será verdadeiramente circular quando valorizarmos quem a faz acontecer todos os dias.



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